Uma
Jornada
criativa e
ousada
O livro que revela o universo exuberante e pioneiro de Sig Bergamin, em sua primeira grande obra impressa.
Se você quer entender quem é Sig Bergamin, abra este livro. Não como quem folheia páginas, mas como quem entre em cena. SIG, lançado em 1997, é mais do que uma coletânea de projetos — é um manifesto visual de um espírito livre, barroco, pop, latino, intelectual, viajado, debochado e absolutamente único.
Em 2002, Sig lançou “Adoro”, sucesso absoluto de vendas e um marco na época.
“Quando pensei em escrever esse livro, mais do que passar conceitos ou regras, quis descrever uma trajetória que poderia estimular outras pessoas. Não nasci em berço de ouro, nunca obtive nada que não fosse pelo trabalho duro e suado. A máxima que já citei antes: dez por cento de inspiração e noventa por cento de transpiração... Haja transpiração!”
Pouco tempo depois do lançamento do livro Adoro, em 2003, Sig lançou “Adoro o Brasil”, contando e mostrando sua exploração no interior do país.
“ Em minhas andanças pelo Brasil para fazer esse livro, fui conhecendo um monte de gente. Eram dois dedos de prosa aqui, dois dedos ali. Sempre uma conversa boa, regada a café no meio do dia, acompanhado ora de broinha, ora de sequilho, às vezes de beiju. À noite, um forró, porque ninguém é de ferro… “
Onze anos depois, em 2014, Sig lançou o livro “Sig Style”, outro grande sucesso.
São 300 páginas recheadas de muitas colagens, inspirações do profissional, viagens e projetos, divididos em 13 capítulos. “Não espere um manual, uma biografia, um portfólio convencional, com organização cronológica ou algo do gênero. É o Sig Style em sua forma mais pura, sem filtros, como o título sugere, em pouca prosa e muitas imagens”, diz Sig no primeiro capítulo do livro.
Em 2018, Sig deu um passo significativo em sua carreira ao lançar o livro “MAXIMALISM” pela editora Assouline, sua estreia no cenário literário internacional. Foi um grande marco na sua carreira e um sucesso absoluto de vendas.
O estilo ousado de Sig Bergamin, arquiteto e designer, é evidente em seu trabalho autodenominado "maximalista", Bergamin mescla móveis franceses e italianos dos séculos XVIII e XIX com peças modernas da América do Norte e do Sul. Em sua casa em São Paulo, ele troca almofadas, capas e abajures de acordo com a estação. Ele dedica a mesma atenção a cada casa de cliente, criando uma unidade distinta.
“A obra de arte é um produto da neutralidade contextual do estúdio e ainda quando apresentada em um museu ou galeria ela está invariavelmente desvinculada de qualquer vestígio de convívio ou contexto pessoal, ou seja, a obra do artista, até sair da galeria não pertence a ninguém senão a um proprietário genérico, imaginário. É sempre uma surpresa para um artista se deparar com uma de suas obras cercada de outros objetos, vasos, mobília, luminárias, paredes com cores, revestimentos estampados, cortinas e outras obras de arte. A obra de arte como parte, assume um outro papel; o de dialogar com a vida e o espaço do proprietário. O grande teste da arte é o de sobreviver a abundância visual de seu entorno com equilíbrio e dignidade, preservando a sua essência sem imposição ao ambiente.
A arte tem que ser uma parte importante do espaço, sabendo ser apenas parte. Eu sempre imaginei meus trabalhos em contextos desafiantes, complexos pois isso me ajuda a dosar a energia visual que eu procuro injetar em meus trabalhos. Eu acredito que essa coragem de trabalhar com um máximo de vetores sensoriais simultaneamente reflete um pouco o período neobarroco que o excesso de informação nos imprime.
Não é a toa que tantas obras minhas acabaram em trabalhos do Sig. Muitas vezes eu vejo na complexidade e no ecletismo dos projetos do Sig, uma espécie de extensão da linguagem que eu procuro organizar através do meu trabalho.
Seus interiores refletem uma infinidade de referencias e de informação do mundo exterior, mas organizadas instintivamente afim de se tornar uma espécie de interface estética entre estes dois mundos. Se o jardim é uma conversa entre a razão humana e a floresta, os interiores do Sig são um dialogo entre o conforto do abrigo e o rico e caótico mundo lá fora, como viajar para lugares distantes e exóticos sem ter que sair do lugar. Somente uma pessoa tão interessada no mundo como um todo seria capaz de imaginar o espaço físico que a intimidade realmente carece. O trabalho do Sig reflete esta infinidade de coisas a serem compreendidas, vividas ou devoradas, esta curiosidade imensa e despida de preconceitos, e é com esta generosidade de referencias que ele constrói seu próprio universo, intimamente, um aposento a cada vez.”
By Vik Muniz
Dois anos depois, em 2020, Sig Bergamin publicou “Art Life”, também pela Assouline.
Sig é um ávido colecionador de arte, uma tendência que transparece em cada um de seus espaços meticulosamente projetados, onde Warhols e Hirsts se misturam perfeitamente com decoração minimalista e maximalista de todo o mundo. Um tour por nove interiores do Brasil a Miami, Art Life de Sig Bergamin celebra o estilo diversificado de Bergamin, bem como seu constante apreço pela arte e pela história.
“Comprei minha primeira obra de arte aos dezoito anos,” lembra Sig Bergamin. “Era uma pintura de um tigre que alguém trouxe de Bali para o Brasil.” Décadas depois, Sig ainda guarda esse primeiro quadro – não por seu valor artístico, mas por seu significado afetivo. Hoje, ele é cercado por obras de artistas consagrados como Beatriz Milhazes, Adriana Varejão e Damien Hirst, e está em contato constante com curadores, galeristas e colecionadores do mundo todo. Mas sua abordagem em relação à arte continua sendo pessoal e intuitiva, guiada por uma sensibilidade construída ao longo do tempo. Conhecido por sua liberdade criativa – misturando cores, estampas, estilos e períodos históricos com desenvoltura e irreverência –, Sig é o oposto do designer de interiores austero. Com seu olhar afiado e instinto nato, ele combina elementos improváveis para criar ambientes inesperados e vibrantes, cheios de vida e história.
Seu estilo maximalista e despreocupado – hoje, celebrado em diversas partes do mundo – foi reconhecido por revistas como Architectural Digest e Elle Décor, que o incluíram entre os designers mais influentes da atualidade. No Brasil, ele é mais que um nome conhecido – é uma referência cultural e um ícone de estilo. Este livro celebra sua outra grande paixão: a arte. Ainda que Sig sempre tenha inserido obras em seus projetos, seu papel na decoração ganhou uma nova dimensão nos últimos anos. Os interiores apresentados aqui refletem essa lógica renovada, em que a arte deixa de ser o toque final para se tornar um ponto de partida, definindo o conceito do espaço desde o início.
“Antes, eu pensava primeiro nos móveis”, ele explica. “Agora, a arte entra junto, ou até antes. Descobri que tudo flui de forma mais natural assim.”
Sig cresceu em uma fazenda no interior do estado de São Paulo, onde aprendeu, desde cedo, a valorizar os sentidos – a observar, tocar, cheirar, ouvir e saborear a vida com intensidade. Aos quinze anos, foi estudar na capital e logo se destacou pela personalidade forte e pelo gosto refinado. Ainda na faculdade de Arquitetura e Urbanismo, montou seu próprio escritório e começou a chamar atenção por sua visão bem-humorada e informal da decoração – uma alternativa ousada à sobriedade do modernismo dominante. Seu estilo foi se firmando à medida que viajava o mundo, ampliando seu repertório de referências culturais e visuais. Do Marrocos à Índia, do Japão à América Latina, sua estética foi sendo moldada por uma visão aberta e global, cheia de contrastes, justaposições e surpresas. O mesmo olhar curioso e expansivo o guiou no universo da arte. Depois da tela do tigre, Sig passou a colecionar artistas brasileiros ainda em início de carreira e, pouco a pouco, incorporou nomes de renome internacional à sua coleção.
“Quando estava começando, comprei uma serigrafia do Andy Warhol por trezentos dólares,” ele lembra. “Eu só tinha cento e cinquenta, e tive que pegar o resto emprestado.” Outra história envolve uma camiseta desenhada por Keith Haring, que Sig comprou nos anos 80 – e depois perdeu na máquina de lavar. “Adorava aquela camiseta, usava o tempo todo. Uma pena que tenha ido embora.”
Hoje, Sig circula pelas principais feiras e eventos do circuito internacional – Art Basel, Frieze, Tefaf –, mas mantém o espírito de descobridor. Seu entusiasmo é o mesmo ao encontrar um grande mestre ou um talento emergente. Nas paredes de suas casas e dos projetos que assina, esses universos se cruzam com naturalidade. Ele encoraja seus clientes a mesclar obras consagradas com produções menos óbvias, criando uma mistura espontânea e original. “Se você gosta de coisas diferentes, pode colocá-las juntas,” ele diz. “Estilos, épocas e artistas convivem lado a lado. Um quadro de papagaio pode conversar com uma almofada de tucano, por que não?”
Entre os projetos apresentados neste livro, estão uma casa em Iporanga onde obras abstratas de Mariana Palma e Luiz Áquila convivem com composições geométricas de Julio Le Parc, e um refúgio em Miami onde o retrato de Mao por Warhol divide espaço com uma cadeira de Frank Gehry. Há também ambientes mais sóbrios, como o ateliê branco de Sig, concebido para dar clareza ao olhar. “Preciso de branco ao meu redor para organizar a mente,” ele diz. “O branco me ajuda a enxergar melhor as outras cores.” Para Sig, arte é emoção. “Não é sobre preço, é sobre sentimento,” ele afirma. “Você não precisa ter um Basquiat. Pode começar por uma peça artesanal que te toque. O importante é viver cercado por aquilo que te inspira.” Por isso, o título deste livro: Art Life. Porque, para Sig, arte não é apenas parte da casa – é parte da vida.
By Armand Limnander
A maturidade de um diálogo criativo, onde as visões de Sig Bergamin e Murilo Lomas se entrelaçam com naturalidade.
“Cada livro é uma peça fundamental da minha trajetória. Dedico a cada um todo o meu amor e comprometimento, assim como faço com meus projetos, sou meticuloso com cada detalhe, e isso tem sido a base da minha carreira, que me trouxe até aqui. O lançamento do livro “Eclectic” é mais do que uma conquista pessoal. É o resultado de uma parceria valiosa e inspiradora. Murilo Lomas, com sua visão firme e apoio constante, teve um papel crucial na realização desse sonho. Juntos, compartilhamos nossas forças e experiências, construindo não apenas livros, mas uma história de cooperação e sucesso.”
“O trabalho de Sig é vibrante, parecendo representar a vivacidade de sua terra natal. Ele é assim também pessoalmente, oferecendo até a estranhos um sorriso acolhedor que transcende idiomas e os inúmeros fusos horários em que se encontra, tanto a trabalho quanto a lazer, já que um se confunde com o outro.
Seus projetos são dramáticos, nenhum detalhe é poupado, e há sempre elementos inesperados, como a parte inferior em alto brilho de uma escada sinuosa. Essas qualidades são a própria definição de “eclético”, segundo o Oxford English Dictionary: derivar ideias, estilo ou gosto de uma ampla e diversa gama de fontes. Um nome apropriado para este livro, que encantará você. Sig tem uma maneira especial de revigorar arquiteturas mais tradicionais, formas clássicas de mobiliário e acabamentos em tecido de um jeito que soa muito atual , completamente Sig.
Sempre fui movido pela mistura, por como um meio artístico faz outro ressoar ou ganhar um novo significado. Em minhas galerias, são o jazz e as performances de dança que elevam nossos móveis e esculturas a outra dimensão. A arte é um sexto sentido. E é também um componente fundamental nos interiores de Sig. Seus clientes têm a sorte de contar com sua curadoria em suas coleções, de ver como uma pintura de Yoshimoto Nara ou Vik Muniz, ou uma fotografia de Warhol por Christopher Makos, sem dúvida molda o clima ou a paleta de um ambiente desde a primeira conversa, antes mesmo dos planos começarem.
É um verdadeiro talento fazer com que uma grande obra de arte seja parte essencial de uma casa sem parecer que é a única coisa no cômodo ou transformá-lo em um museu. Ninguém quer ser ofuscado por um Picasso — mesmo que tenha a sorte de ter um na sala de estar.
Há um calor realmente acolhedor nos interiores de Sig. Acho que alguns de seus trabalhos mais monocromáticos e neutros podem surpreender muitos fãs, em especial seu projeto no apartamento da East 72nd Street, mas os detalhes e o equilíbrio fazem com que esse trabalho pareça aconchegante e convidativo. O design passou por um período de “bege é entediante”, mas isso mostra como uma afirmação genérica como essa pode estar errada.
O espaço está cheio de bouclé e veludos, com quase nada mais colorido do que uma poltrona ocre e um sofá chocolate, e mesmo assim há muito para o olhar descobrir — tudo duplicado em uma parede espelhada atrás de uma lareira de mármore. Na casa Regina, a única “cor” na sala de estar branca vem da arte, mas detalhes como metais misturados e tons de madeira fornecem contraste.
Sempre há folhagens ou flores, uma camada a mais que ajuda até uma casa recém-construída a parecer vivida. Ele adora estampas, mas não precisa que sejam gritantes; usa com confiança xadrezes, animais e estampas abstratas dentro de uma residência.
As flores estão sempre frescas, as bebidas geladas, a mesa posta, Sig entrega o pacote completo. Ele é um tesouro nacional brasileiro, como Copacabana, as praias e o futebol. Já disse isso antes, mas é verdade: é impossível não se sentir feliz em um dos ambientes de Sig."
Ralph Pucci